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Fato e Opinião

O que fazer com as tão criticadas vias elevadas? Demolir ou transformar?

A demolição do elevado da Perimetral, no Rio de Janeiro, faz parte de uma série de intervenções para a revitalização da zona portuária da capital fluminense. A primeira fase da remoção, iniciada dia 24 de novembro de 2013 com a implosão do trecho entre o Gasômetro e a praça Mauá, custou aos cofres públicos um bilhão de reais. Enquanto isso, o futuro do elevado Costa e Silva, conhecido como Minhocão, em São Paulo, permanece uma incógnita. Uns sugerem a sua demolição, enquanto outros cogitam a sua transformação em um parque elevado, como foi feito em Nova York com o High Line, parque construído sobre uma linha de trem elevada desativada, a partir do projeto criado por James Corner Field Operations e Diller Scofidio + Renfro. Outro exemplo de parque suspenso construído sobre uma antiga linha de trem abandonada é o Promenade Planté, em Paris, projetado por Philippe Mathieux e Jacques Vergely. Diante das alternativas, AU pergunta: o que fazer com as tão criticadas vias elevadas? Demolir ou transformar?

 

Foto: Gabriel L. Jauregui

Jorge Mario Jáuregui
arquiteto argentino radicado no Brasil, criador de projetos como a Rambla de Manguinhos e o teleférico do Complexo do Alemão. Também é autor da Linha verde e luminosa, proposta que converte a Perimetral do Rio em um parque suspenso

Cada situação deve ser analisada em relação ao seu contexto, ou seja, não se pode generalizar. No caso do Rio, perdeu-se a oportunidade de incorporar ao centro um passeio público elevado, verde, ajardinado, com quiosques e sistema de veículo leve sobre trilhos (VLT), aberto 24 horas, que conectaria o aeroporto Santos Dumont à rodoviária. Este atrator/conector de escala urbana que existia em potencial dispunha de visuais excelentes do skyline da cidade, da Baía de Guanabara e suas montanhas, Convento de São Bento e ponte Rio-Niterói. Com a derrubada da Perimetral, terá de ser resolvido o conflito entre pedestres e automóveis, que não reduzirão sua presença na cidade, pois falta um sistema de transporte metropolitano eficiente. Tudo isso em um prazo breve e não propício a “pensar” no equacionamento dos múltiplos fatores que devem ser considerados quando se analisa a mobilidade e os diferentes ritmos urbanos de uma metrópole.

 

Acervo pessoal


José Alves
 diretor da empresa de arquitetura e urbanismo Frentes, vencedora do prêmio Prestes Maia de Urbanismo 2006 e Melhor Projeto na 7ª BIA em 2007 com o projeto O novo elevado

Nunca demolir, sempre transformar. O urbanismo tende a lidar com questões análogas ao palimpsesto, pergaminho cujo texto primitivo era raspado para dar lugar a outro, sucessivamente. Neste processo, muita informação era perdida e, junto, parte da memória. É possível termos um urbanismo novo, menos devastador, ágil e que proponha transformações a partir do existente. As cidades reivindicam para si seu vasto potencial de regeneração e transformação e o Minhocão tem potencial latente para se transformar. Isso se manifesta por sua ocupação criativa pela população. Devemos dar ao Minhocão a possibilidade de se transformar continuamente, sem imobilizá-lo. Neste quesito, o High Line, com seu design apurado e de certa forma imobilizante, não se aplica aqui. Além de um novo parque (uso já consolidado há anos), devemos acoplar ao Minhocão novos programas combinados ao modo de vida de nossa cidade.

 

Foto: Fabio Vidigal

Flavio Ferreira arquiteto e doutor em urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

A via elevada para veículos é parte do repertório de elementos do Movimento Moderno, que vai do Plano Voisin de Paris nos anos 1920 até Brasília nos anos 1960. Era coerente com o espaço urbano então proposto: edifícios altos e distantes uns dos outros, grandes espaços livres e verdes de permeio usados por pedestres, principalmente. Na cidade atual, a via elevada é “peça estranha” e fora de escala, demasiadamente próxima aos edifícios vizinhos, deteriorando os espaços laterais e inferiores a ela. Em alguns lugares há grandes espaços entre a via elevada e as edificações vizinhas – nesses casos, o elevado pode permanecer sem muitos danos aos espaços circundantes, como no parque High Line em Nova York. Não é o caso da Perimetral no Rio de Janeiro nem do Minhocão em São Paulo, onde a demolição é a melhor solução. A propósito, a valorização da área da Perimetral será bem maior do que o bilhão de reais gastos na sua demolição.

 

Acervo pessoal

Carolina Dardi arquiteta argentina, sócia do escritório Grupo Latinoamericano Urbano

As vias elevadas são funcionais às necessidades de um momento, pois surgem como respostas a processos urbanísticos vivos. O importante é focar nos espaços urbanos públicos e espontâneos que fazem as cidades – espaços para encontro, procura e expressão – que provocam o convívio e a interação. Eu não me importo com a permanência das vias elevadas, desde que isso implique a revitalização do entorno. Apesar de ser uma solução limpa e “de raiz”, a sua demolição não acompanha um pensamento sistêmico, deixando, por isso, de ser sadia urbanisticamente. Hoje, importamos modelos estrangeiros que não são idiossincráticos à nossa cultura e que pouco têm a ver com a panaceia de nossos males.

 

Foto: Fernando Alvim


Fabiana Izaga
 vice-presidente do IAB-RJ

As vias elevadas possuem distintas idades e podem variar em relação ao agenciamento com as formas urbanas. Nas cidades brasileiras, em geral, elas representam o urbanismo do automóvel, que destina boa parte dos investimentos em infraestrutura de transportes à circulação rodoviária. No momento atual, compartilha-se conceitualmente a morte desse modelo, embora se reconheça que há ainda grandes mudanças culturais a serem realizadas. Nossas cidades viraram metrópoles com o transporte rodoviário e devem buscar a transição para modelos contemporâneos. No Porto do Rio, a demolição da Perimetral poderá ser uma afirmativa simbólica e espacial dessa mudança. Mas cada cidade deve discutir e construir o destino de suas vias elevadas. Se generalizarmos, podemos cair na mesma armadilha do momento no qual elas foram propostas, ou seja, ver só um lado da questão.

 

Foto: J. R. D´Elboux


Valter Caldana
 diretor da FAU-Mackenzie

 

No caso do Minhocão, a demolição deve ser imediata, independentemente de obras como enterrar ferrovias e avenidas. Nada o justifica: a Barra Funda não é mais industrial, a zona Leste não é mais um depósito de terra e a cidade quer seu Centro de volta. O que antes era voltado para o estar e o morar foi transformado em um corredor pelo Minhocão. Tudo justifica a sua demolição: a necessária alteração de paradigmas de construção da cidade, de rodoviarista à cidadã; a recuperação de vasta área central que vai muito além dos edifícios lindeiros; e a urgência de parar a construção de ruas sem a construção da cidade, onde uma multidão perambula sem rumo, acéfala e sem qualidade de vida. Bons projetos de preservação de outros países são coerentes com suas histórias e situações, mas não cabem aqui. Abaixo o Minhocão, a cidade para o cidadão!

 

Exposições premiações e menções.

arq. Carolina Dardi

Exposição 2920 dias, 15 paises, 2 continentes, 2 pessoas…Mexico até a Antartida. Consulado Argentino no Rio de Janeiro

Exposição Antiga casa de governo no marco da Ecocosta. Ushuaia-Argentina.

Primeiro premio. Exposição conjunta, “velas sudamerica”. No marco do bicentenario da Argentina. Museio Maritimo Ushuaia.

Viagem á Antartica. Acto poêtico.

Exposição organizada por o Governo do Mexico no marco do bicentenario da cidade. Concurso “Dialogo de Bancas”. Centro Cultural  Estación Indianilla. México DF

arq. Cristo Valdés

Menção honrosa Bienal Internacional de Arte Contemporáne. Centro Cultural Borges. Buenos Aires. Argentina.

1 ro premio Medalha de Ouro e diploma de Honor  Expo Arte das Americas. Consulado Geral da Republica Argentina no Rio de Janeiro.

Exposição Casa da Condesa. Mexico DF.

Exposição conjunta,  “Capacidades”. Centro Cultural Inti Main–Ushuaia. Argentina

Medalha de ouro e diploma de honor. Exposição conjunta, “IV Salón de Artes Plásticas”. Forte de Copacabana, Rio de Janeiro-Brasil.

Exposição conjunta, “The 32nd International Artexpo”. New York.

Exposição conjunta, “Arte Latinoamericano en el Bicentenario”.  C.C. Borges. Buenos Aires.

Exposição conjunta argentino-brasileira no Museio Maritimo Ushuaia.

Viagem á Antartica. Acto poêtico.

Exposição 2920 dias, 15 paises, 2 continentes, 2 pessoas…Mexico até a Antartida. Consulado Argentino no Rio de Janeiro

Escritorio Arq. Jorge Jauregi.

2005-Terceiro Prêmio. Concurso de Ideias para a Urbanização Favela Rocinha. Plano de Desenvolvimento  Socio- Espacial.

2004-Menção  Honrosa.Concurso Barão de Mauá. Corredor cultural, ecológico e turístico no Magé.

2004-Publicação. Plano desenvolvimento Parque da Misericórdia para o Complexo do Alemão.

2003-Seleção. Concurso UIA. (União Internacional dos Arquitetos). Celebração das Cidades.  Paris.  França.


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